{"id":9615,"date":"2020-06-21T07:19:12","date_gmt":"2020-06-21T07:19:12","guid":{"rendered":"http:\/\/papoesportivo.com\/wp\/?p=9615"},"modified":"2020-06-21T07:19:12","modified_gmt":"2020-06-21T07:19:12","slug":"21061970-brasil-da-show-goleia-italia-e-e-tri-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/papoesportivo.com\/wp\/?p=9615","title":{"rendered":"21\/06\/1970: Brasil d\u00e1 show, goleia It\u00e1lia e \u00e9 tri no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Jota Carvalho \/ Papo Esportivo<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>jota.carvalho@yahoo.com<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 tricampe\u00e3o! \u00c9 tricampe\u00e3o! H\u00e1 exatos 50 anos, foram esses os gritos que se libertavam da garganta dos brasileiros. A Sele\u00e7\u00e3o derrotava a It\u00e1lia por 4 a 1 e conquistava pela terceira vez a Copa do Mundo FIFA, em 1970. Os gols da partida foram marcados por Pel\u00e9, G\u00e9rson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres. Boninsegna fez o gol de honra dos italianos no Est\u00e1dio Azteca, na Cidade do M\u00e9xico.<br \/>\nCom a conquista, o Brasil encerrou uma campanha de seis vit\u00f3rias em seis jogos, tornando-se a primeira equipe a ter 100% de aproveitamento nas Eliminat\u00f3rias e na Copa do Mundo. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foi o primeiro time a chegar ao tricampeonato mundial, fato que lhe garantiu a posse definitiva da ta\u00e7a Jules Rimet. Al\u00e9m deste t\u00edtulo, o Brasil fora campe\u00e3o tamb\u00e9m em 1958 e 1962 e depois em 1994 (EUA) e 2002 (Coreia do Sul e Jap\u00e3o), formando ent\u00e3o as cinco conquistas mundiais.<br \/>\nCom todos os jogadores dispon\u00edveis para a partida, Zagallo levou a campo o que tinha de melhor para a Sele\u00e7\u00e3o. A escala\u00e7\u00e3o foi a que mais se repetiu durante o Mundial, com o time-base formado por F\u00e9lix; Carlos Alberto Torres (Capit\u00e3o), Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e G\u00e9rson; Jairzinho, Pel\u00e9, Rivellino e Tost\u00e3o.<br \/>\nOs italianos vinham de uma batalha hist\u00f3rica contra a Alemanha Ocidental na semifinal da Copa do Mundo. Altamente considerado um dos melhores jogos da hist\u00f3ria dos Mundiais, a partida terminou com triunfo da Azzurra por 4 a 3, ap\u00f3s dois tempos extras. Os 90 minutos terminaram empatados em 2 a 2, a It\u00e1lia chegou a sair na frente na prorroga\u00e7\u00e3o, sofreu novo empate e finalmente fez o gol da classifica\u00e7\u00e3o, aos 114 minutos de partida.<br \/>\nTodo esse desgaste fez com que o Brasil chegasse \u00e0 final com um pouco mais de disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Al\u00e9m disso, a It\u00e1lia \u00e9 sempre um grande advers\u00e1rio, por sua escola tradicional de futebol, mas a Alemanha de Gerd M\u00fbller e Franz Beckenbauer se apresentava como um dos melhores times do torneio.<br \/>\nA partida ainda marcou uma s\u00e9rie de feitos individuais para a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. Jairzinho terminou o Mundial como vice-artilheiro, com sete gols, e se tornou o primeiro campe\u00e3o a marcar em todos os seis jogos de sua sele\u00e7\u00e3o. Pel\u00e9 voltou a marcar em uma final de Copa do Mundo e se tornou o \u00fanico jogador tr\u00eas vezes campe\u00e3o mundial da hist\u00f3ria. O Rei ainda terminou a competi\u00e7\u00e3o com seis assist\u00eancias, um recorde at\u00e9 hoje em passes para gol na mesma edi\u00e7\u00e3o de um Mundial.<\/p>\n<p><em><strong>O jogo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Apesar do cansa\u00e7o da semifinal, a It\u00e1lia come\u00e7ou bem a partida no calor do Azteca. Em um in\u00edcio equilibrado, a Azzurra foi a primeira a finalizar na final da Copa do Mundo. A oportunidade surgiu logo aos dois minutos de jogo, em finaliza\u00e7\u00e3o de fora da \u00e1rea de Riva, que foi muito bem defendida por F\u00e9lix.<br \/>\nNos minutos seguintes, o Brasil amea\u00e7ou em duas cobran\u00e7as de falta de Rivellino, mas a Patada At\u00f4mica n\u00e3o acertou em cheio nenhuma delas. Uma foi para fora e a outra para as m\u00e3os do goleiro Albertosi. Mas o arqueiro italiano n\u00e3o levaria tanta sorte na pr\u00f3xima chance.<\/p>\n<div id=\"attachment_9616\" style=\"width: 330px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/papoesportivo.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/21061970-P\u00e9l\u00e9-Brasil-tri-1970.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9616\" class=\"size-full wp-image-9616\" src=\"http:\/\/papoesportivo.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/21061970-P\u00e9l\u00e9-Brasil-tri-1970.png\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"203\" srcset=\"http:\/\/papoesportivo.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/21061970-P\u00e9l\u00e9-Brasil-tri-1970.png 320w, http:\/\/papoesportivo.com\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/21061970-P\u00e9l\u00e9-Brasil-tri-1970-300x190.png 300w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9616\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Rei Pel\u00e9 abriu o marcador na goleada hist\u00f3rica no Est\u00e1dio Azteca (Foto: Acervo CBF)<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>O rel\u00f3gio marcava 17 minutos de jogo quando Tost\u00e3o bateu lateral pela esquerda. Rivellino, de primeira, esperou a bola quicar para al\u00e7\u00e1-la na \u00e1rea. Era s\u00f3 o que ele precisava fazer. em meio aos gigantes italianos, Pel\u00e9, de 1,72 metro de altura, subiu muito e testou para o fundo da rede. Estava aberto o placar na Cidade do M\u00e9xico.<br \/>\nAp\u00f3s o gol de Pel\u00e9, a It\u00e1lia ficou um pouco atordoada em campo e deu espa\u00e7o para o Brasil dominar mais a partida. Os italianos s\u00f3 voltariam \u00e0 carga perto dos 30 minutos de primeiro tempo, em chutes de fora da \u00e1rea sem muito perigo. O jogo parecia controlado, mas nunca se pode subestimar a It\u00e1lia em um jogo de Copa do Mundo.<br \/>\nAos 37, em bola tocada por Brito, Clodoaldo tentou sair jogando com um toque de calcanhar para Everaldo, sem ver o companheiro. O meia tamb\u00e9m n\u00e3o enxergou a chegada de Roberto Boninsegna, que roubou a bola e, depois de dividida entre F\u00e9lix e Brito, completou para o gol vazio: 1 a 1.<br \/>\nO Brasil quase desempatou a partida antes do intervalo. Na verdade, chegou a fazer o 2 a 1, quando Pel\u00e9 dominou a bola dentro da \u00e1rea e chutou de bico para o fundo do gol italiano. Mas o juiz alem\u00e3o Rudi Glockner anulou o tento, marcado aos 45:05 de jogo. O \u00e1rbitro pegou a bola e saiu para o t\u00fanel, encerrando o primeiro tempo.<\/p>\n<p><em><strong>Disposi\u00e7\u00e3o e t\u00edtulo no segundo tempo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Disposta a decidir o jogo, a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira voltou em outra velocidade para a segunda etapa. Logo aos dois minutos, Carlos Alberto fez ultrapassagem, recebeu de Jairzinho e cruzou seco. A bola passou pela pequena \u00e1rea, mas Pel\u00e9 n\u00e3o conseguiu completar para o gol.<br \/>\nMais solto no meio, G\u00e9rson subia ainda mais, pressionando o sistema defensivo da It\u00e1lia, que apelava para as faltas. Foram v\u00e1rias oportunidades de bola parada na entrada da \u00e1rea italiana nos primeiros 15 minutos de segundo tempo. Em uma delas, Pel\u00e9 rolou para Rivellino, que bateu de direita e a bola explodiu na trave. Na outra, a Patada At\u00f4mica veio direto e s\u00f3 n\u00e3o estufou a rede porque Albertosi fez uma defesa monumental.<br \/>\nA \u00fanica boa chance da It\u00e1lia nesse in\u00edcio de segundo tempo veio quando Domenghini tentou cruzar, a bola bateu em Everaldo e parou na rede pelo lado de fora. Mas o dom\u00ednio era brasileiro e n\u00e3o demorou para a Sele\u00e7\u00e3o transformar a press\u00e3o no desempate.<br \/>\nAos 20 minutos do segundo tempo, G\u00e9rson pegou sobra ap\u00f3s jogada de Jairzinho. Na intermedi\u00e1ria, cortou para a perna esquerda e soltou uma bomba. A Canhotinha de Ouro s\u00f3 parou no fundo da rede, um gola\u00e7o de tirar o f\u00f4lego no Azteca, o primeiro de G\u00e9rson na Copa do Mundo.<br \/>\nO golpe, que j\u00e1 seria duro para a It\u00e1lia, ficou ainda pior apenas cinco minutos depois. G\u00e9rson lan\u00e7ou para a \u00e1rea e encontrou Pel\u00e9. De cabe\u00e7a, o Rei escorou para Jairzinho, que, meio aos trancos e barrancos, completou para o gol, o s\u00e9timo dele no torneio.<br \/>\nCom o 3 a 1 no placar, o Brasil se encontrava praticamente com as m\u00e3os na ta\u00e7a. J\u00e1 cansada em campo, a It\u00e1lia n\u00e3o mostrava muita for\u00e7a para reagir. E o Brasil seguia em busca do quarto gol, que aconteceu aos 41 minutos, da melhor maneira poss\u00edvel.<br \/>\nA jogada come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s, quando Tost\u00e3o voltou para ajudar Everaldo na marca\u00e7\u00e3o, roubando a bola de Domenghini. A pelota caiu nos p\u00e9s de Brito, que a empurrou para Clodoaldo. O Corr\u00f3 aproveitou a descida de Pel\u00e9 e G\u00e9rson para acion\u00e1-los e recebeu a bola em seguida. A It\u00e1lia tentou subir a marca\u00e7\u00e3o, mas Clod\u00f4 tirou de letra. Foram quatro advers\u00e1rios batidos em uma sequ\u00eancia de dribles curtos. Depois de limpar o lance, ele abriu para Rivellino, que se aproximou perto da linha central.<br \/>\nO movimento de Rivellino abriu espa\u00e7o na ponta esquerda e foi para l\u00e1 que Jairzinho se direcionou. O lan\u00e7amento do Riva veio na meia altura, em velocidade, para o Furac\u00e3o dominar e partir para cima da marca\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s passar pelo primeiro advers\u00e1rio, Jair encontrou Pel\u00e9 na meia lua da \u00e1rea.<br \/>\nNesse momento, o Rei j\u00e1 sabia o que fazer. Mas caso n\u00e3o soubesse, havia Tost\u00e3o, logo a frente dele, apontando para o lado direito da \u00e1rea. Era ali que apareceria Carlos Alberto Torres, em uma corrida fulminante, para receber o passe no espa\u00e7o vazio e encher o p\u00e9, de primeira, para fazer o gol. Estava desenhado ali o maior s\u00edmbolo daquela gera\u00e7\u00e3o. O jogo bonito resumido em um lance, uma jogada, que teve de tudo. Drible, passe, improviso, dedica\u00e7\u00e3o, defesa, movimentos t\u00e1ticos, velocidade, enfim. Um gol brasileiro.<br \/>\nO gol foi a p\u00e1 de cal em qualquer pretens\u00e3o de virada dos italianos. Depois do tento do Capita, as duas equipes praticamente s\u00f3 esperaram o jogo acabar para a defini\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo. Ap\u00f3s o apito final, os jogadores brasileiros comemoraram em \u00caxtase.<\/p>\n<p><em><strong>Pel\u00e9 de cueca nos ombros da torcida<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Torcedores, jornalistas e seguran\u00e7as mexicanos invadiram o gramado, desesperados por qualquer pe\u00e7a de roupa de qualquer um dos jogadores. O Rei Pel\u00e9 ficou apenas de cueca e &#8216;sombrero&#8217;, o tradicional chap\u00e9u do pa\u00eds, enquanto comemorava o t\u00edtulo nos ombros do povo.<br \/>\nEstava escrita ali a mais bonita p\u00e1gina da hist\u00f3ria do futebol. Uma trajet\u00f3ria t\u00e3o bonita que n\u00e3o parecia de verdade. Que faz crer que este texto n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00f4nica, mas uma f\u00e1bula. era como se o futebol fosse esse poder extraordin\u00e1rio do povo brasileiro, que o permitia ser amado pelo resto do mundo. Talvez seja por isso que o brasileiro ame tanto o futebol. Mas podemos ter certeza, principalmente depois da Copa de 1970: o futebol tamb\u00e9m nos ama de volta.<\/p>\n<p><em><strong>Equipes<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>&gt;&gt; Brasil:<\/strong><\/em> F\u00e9lix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e G\u00e9rson; Rivellino, Jairzinho, Tost\u00e3o e Pel\u00e9. T\u00e9cnico: Zagallo.<br \/>\n<em><strong>&gt;&gt; It\u00e1lia:<\/strong> <\/em>Albertosi; Burgnich, Cera, Rosato e Facchetti; Bertini (Juliano, 84) e De Sisti; Mazzola, Domenghini, Boninsegna (Rivera, 84) e Riva. T\u00e9cnico: Ferrucio Valcareggi. (Fonte: CBF)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o: Jota Carvalho \/ Papo Esportivo jota.carvalho@yahoo.com \u00c9 tricampe\u00e3o! \u00c9 tricampe\u00e3o! H\u00e1 exatos 50 anos, foram esses os gritos que se libertavam da garganta dos brasileiros. A Sele\u00e7\u00e3o derrotava a It\u00e1lia por 4 a 1 e conquistava pela terceira vez a Copa do Mundo FIFA, em 1970. 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